Frei Michel da Cruz, OFMConv
No presente há sempre um presente: a chance de se trabalhar.
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A Importância do Sorriso
Desde pequenos ouvimos dizer que a primeira impressão é a que fica. Eu não saberia dizer qual é o grau de veracidade desta afirmação. Contudo, não podemos negar que ser recebido com um sorriso é um diferencial que anima e desarma quem chega num lugar. Lembro-me de um funcionário de uma universidade que era responsável por lidar com os estudantes desesperados por resolver algumas infindáveis questões burocráticas. Lembro-me que, muitas vezes, as pessoas iam até esse funcionário com o semblante alterado prontos para criar confusão e desordem naquele setor. E esse funcionário que quase sempre estava de costas, finalizando alguma tarefa no computador, quando se virava de frente, para atender o aluno, abria um grande sorriso acolhedor. E a pessoa que já estava pronta para iniciar uma guerra ficava sem graça e não conseguia brigar com o funcionário. Inclusive era comum alguns saírem do setor se queixando porque, apesar de terem motivos para ficarem bravos com alguns aspectos administrativos da referida instituição de ensino, não conseguiam brigar com o atendente.
O sorriso de fato é o nosso cartão de visitas. Ao dizer isso, não quero tão somente enfatizar a importância de se consultar o dentista regularmente, embora a saúde bucal deva ser sempre levada em consideração. Quero sim enfatizar a importância de procurarmos sempre em nossa prática pastoral receber as pessoas com um sorriso. Sorrir para o outro é o primeiro gesto de acolhimento para quem chega. O sorriso indica que a pessoa está entre amigos que partilham da mesma fé e estão felizes por caminharem juntos. O nosso sorriso tem o mesmo poder do farol que reflete a luz interior e assim ilumina o caminho do navegante em meio à escuridão da noite. O nosso sorriso deve refletir aquela luz de Cristo que brilha dentro de nós. E essa luz é um dos meios que Deus utiliza para dizer ao outro, aquele que é acolhido, que ele não está sozinho e que há uma luz no fim do túnel.
O Evangelho nos ensina que devemos amar uns aos outros como o próprio Deus nos amou (Jo 15,12). O amor de Deus por nós não é algo abstrato. O amor de Deus é concreto. Ele se manifesta na cruz; na Eucaristia; na doação de sua própria vida a cada um de nós. Neste sentido, como dizia Dom Bosco: “Não Basta dizer que ama. É preciso demonstrar”. O nosso amor não pode se limitar a palavras que muitas das vezes se perdem com o vento. É preciso que o nosso amor pelo irmão que acolhemos se torne visível e manifesto. E uma das maneiras de tornar o nosso amor visível é por meio do sorriso. O ministro do acolhimento deve ser alguém que traz nos lábios o sorriso próprio daquele que encontrou o sentido da vida; daquele que sabe em quem depositou a sua vida, confiança e esperança. Não dá para acolher o outro com apatia ou com o rosto desanimado. Afinal, quem vai a Igreja tem o direito de se encontrar e ser recebida por pessoas que trazem no sorriso e no olhar a fé, a esperança e o amor. Isso não quer dizer que os ministros do acolhimento sejam pessoas perfeitas ou que não passem por dificuldades, mas sim que são pessoas que sabem que tudo na vida é passageiro menos o amor de Deus. E, por isso, com todas as dificuldades, toda dor e, talvez, até mesmo sofrimentos que a vida pode suscitar trazem no peito a certeza de serem amadas por Deus.
É preciso dizer que o sorriso exige trabalho. É fácil sorrir quando as coisas caminham bem; quando todos os meus desejos são satisfeitos. Contudo, quando chegamos ao inverno da vida, só consegue sorrir quem se trabalhou para tal. Neste sentido, a beata Lindalva Justo de Oliveira costumava dizer que “Ninguém vê o que tem no meu coração, ele pode sofrer, mas o rosto é dos outros, este precisa sorrir”. Esse é o trabalho cotidiano no qual precisamos nos exercitar: sorrir sempre. O nosso sorriso é fruto da nossa alegria espiritual e um precioso testemunho para quem nos encontra. Por isso, São Francisco passou aos seus frades um ensinamento precioso que vale para todo ministro do acolhimento. Leiamos o que escreveu Tomás de Celano acerca de São Francisco.
Uma vez, São Francisco viu um de seus companheiros com semblante aborrecido e triste e, sem conseguir suportá-lo, disse-lhe: “Um servo de Deus não deve mostrar-se triste e atormentado, mas sempre sereno. Resolve teus problemas em tua cela, chora e geme na frente do teu Deus. Quando voltares para junto dos irmãos, deixa de lado o aborrecimento e trata de te comportares como um deles”. E acrescentou, um pouco depois: “Os inimigos da salvação humana me odeiam bastante e estão sempre procurando perturbar meus companheiros porque não o conseguem comigo”.
Gostava tanto de ver as pessoas cheias de alegria espiritual que em certo capítulo mandou escrever estas palavras de exortação para todos: “Cuidem os frades de nunca se mostrar mal-humorados e hipocritamente tristes. Mostrem-se jubilosos no Senhor, alegres e felizes, simpáticos como convém” (II Cel 128).
Assim também devem se mostrar os ministros do acolhimento.

Perguntas para reflexão:

1. Com que ânimo eu venho acolher as pessoas nas missas?
2. O que eu faço quando estou triste?
3. Eu consigo transmitir ao outro o quanto eu e ele somos amados por Deus?
4. O que posso melhorar na minha prática de acolhimento?
Frei Michel da Cruz
Enviado por Frei Michel da Cruz em 19/08/2012
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