Frei Michel da Cruz, OFMConv
No presente há sempre um presente: a chance de se trabalhar.
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Campanha da Fraternidade 2019
Quaresma é o tempo favorável, concedido por Deus a cada um de nós, para que possamos nos reconciliar com Ele, com nossos irmãos e com as criaturas. É durante este período que, mais do que nunca, temos a chance de rasgar os nossos corações e nos voltarmos para o Senhor, que se deixa encontrar. As penitências e os gestos assumidos no período quaresmal devem revelar o nosso desejo de conversão interior. A oração, a esmola e o jejum não são atos externos que visam chamar a atenção dos outros para nós. Antes, eles constituem exercícios práticos que visam restabelecer a harmonia nas relações com Deus, com o próximo e com a criação.
A oração nos aproxima de Deus. Ela estabelece uma justa relação com Aquele que é o nosso criador e a fonte de todo bem. As esmola desperta o nosso coração para fraternidade e o vínculo de solidariedade existente com os nossos irmãos sofredores. A esmola é a concretização do nosso amor para com o próximo. Ela nos retira do mal da indiferença, em relação a dor do outro. O jejum, por sua vez, gera em nós o autodomínio. Ele impede que sejamos arrastados pelos nossos desejos e escravizados pelas nossas vontades e carências. O jejum estabelece uma justa relação entre nós e as criaturas. Ele nos recorda que comemos para viver e não vivemos para comer. Em todos esses exercícios somos convidados a olhar para fora de nós mesmos e, de alguma maneira, restabelecermos os dons preternaturais da justiça e santidade originais perdidos pelo pecado.
A Quaresma nos torna mais humanos. Aqui está razão pela qual todos os anos a Igreja Católica, no Brasil, por meio da CNBB, propõe aos seus fiéis a Campanha da Fraternidade: o amor pelo ser humano. Nesta campanha, que tem o seu início e ápice na Quaresma, mas se estende por todo o ano civil, o cristão católico é convidado a olhar a dor do outro e perceber que não existe assunto verdadeiramente humano acerca do qual a Igreja não se interesse e não tenha uma palavra de vida para proferir. A constatação feita o Santo Irineu de Lyon permanece válida: “A glória de Deus é o homem vivo”. Por isso, ao longo desta Quaresma, um ano antes das próximas eleições municipais, somos todos convidados a refletir sobre o tema das políticas públicas e a fraternidade. A intenção da Igreja não é criticar governante A ou B, mas sim despertar no coração dos cristãos a consciência da nossa responsabilidade, enquanto homens e mulheres de fé, com a realização do bem comum. Não cabe mais aos cristãos a repetição da ladainha do mal que afirma que política é algo sujo e que não tem nada a ver com a Igreja. A Campanha da Fraternidade deste ano de 2019, através da sua metodologia do ver, julgar e agir, visa esclarecer o nosso povo acerca de alguns conceitos primários tais como: política, políticas públicas, políticas de governo, divisão de poderes e esferas de atuação desses mesmos poderes. É a partir do conhecimento desses conceitos que se torna possível à luz da Palavra de Deus, contida na Sagrada Escritura, ensinada pelos Padres da Igreja e sistematizada no Compêndio de Doutrina Social da Igreja (DSI), julgar as políticas públicas já existentes e pleitear melhorias e novas políticas que se adequem ao bem comum e às necessidades de nossa população. A ação da Igreja, de acordo com o lema da Campanha deste ano (Is 1,27), visa estabelecer o direito e a justiça na escolha de políticas públicas de qualidade para a população. Neste sentido, ao longo desse tempo quaresmal, empenhar-nos-emos em despertar no coração de nosso povo o desejo de se envolver diretamente na participação da construção de políticas públicas, por meio dos mecanismos da esfera cível, que permitem tais atuações, como os Conselhos Paritários de Direitos, associações de moradores, rodas de conversas e debates sobre as políticas partidárias,...
Toda essa busca e empenho da Igreja, ao longo da quaresma, tem como objetivo responder de modo afirmativo a pergunta feita por Caim a Deus (Gn 4,9): “Sou eu o guarda do meu irmão?” Sim. Nós somos os guardas responsáveis por nossos irmãos. Nós somos os responsáveis pelo destino político e concretização do bem comum de nossa população.
Frei Michel da Cruz
Enviado por Frei Michel da Cruz em 21/08/2019


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