Frei Michel da Cruz, OFMConv
No presente há sempre um presente: a chance de se trabalhar.
CapaCapa
Meu DiárioMeu Diário
TextosTextos
FotosFotos
PerfilPerfil
Livro de VisitasLivro de Visitas
ContatoContato
LinksLinks
Textos

Os Penetras do Natal
Chamamos popularmente de penetra pessoas que vão a festas, geralmente de aniversário, sem terem sido convidadas pelo anfitrião. Há vários tipos de penetras. O penetra mais comum é o “penetra conhecido”, vulgarmente chamado de o “cara-de-pau”. Este penetra é uma pessoa conhecida do dono da festa, mas que por uma razão ou outra não foi convidada para o festim. Outro tipo de penetra é “penetra amigo do amigo”. Este penetra é o convidado do convidado. Ele é fruto do costume de chamar mais um para a festa alheia. Os antigos inclusive cunharam um dito para este tipo de penetra: “O dono da festa convida um e o convidado convida mil e o dono da festa tem o direito de expulsar mil e um de sua comemoração”. Por fim, temos também o “penetra intrujão”. Este é o intruso da festa. Ele não conhece o aniversariante; não sabe o motivo da comemoração; não conhece ninguém que está na festa. Ele simplesmente faz como o cachorro que entrou na igreja só porque a porta aberta.
Ontem, durante as festividades do Natal do Senhor, um fato chamou a minha atenção. Após almoçar em família, quando eu me preparava para me retirar do recinto e me dirigir à igreja para participar da missa do dia de Natal, uma pessoa me perguntou o motivo pelo qual eu estava indo embora da “festa” tão cedo. Respondi que estava indo à missa. Ao que a pessoa, juntamente com outros que já entravam na conversa, indagou: “Mas hoje por acaso é dia de missa?” Eu respondi que sim. E ainda acrescentei: “Hoje é dia de missa por excelência.” E fui embora para a igreja.
Este episódio ocorrido comigo, fez-me lembrar de uma publicação que li na véspera do Natal na qual se dizia que o banquete, a mesa farta, no Natal sem a participação na missa era a festa da hipocrisia. E também veio à minha mente uma música, interpretada por Zeca Pagodinho, na qual se descreve as ações de um penetra inconveniente que acaba tomando uma sova e sendo expulso da festa por ele invadida. Essas memórias geraram em mim a seguinte conclusão: Tem muita gente dando uma de penetra na festa de Jesus...
O Natal é uma festa de aniversário, na qual comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Neste festejo celebramos e nos alegramos com o Deus que fez algo que nem Gepeto fez ou podia fazer por Pinóquio: fazer-se igual a sua criação. Nesta festa celebramos o criador que se faz igual a sua criatura e revela a esta a sua grandeza. Se o homem sofria de crise de identidade e sempre achava pouco ser o que era, Deus ao se encarnar mostrou a grandeza da vocação humana. Deus vem ao mundo revelar o homem ao próprio homem. Celebramos nesta atitude divina a salvação do homem. A salvação do fechamento egoísta do olhar para o próprio umbigo. A salvação do fechamento para o outro e da inveja própria de quem se acha menos do que é. Esta salvação revela a nossa abertura à transcendência e ao amor. No Natal, Deus nos lembra que, por Ele, com Ele e Nele, sempre somos mais.
Na festa de Jesus, não há penetra no sentido estrito. O convite para se alegrar com este aniversário é feito a todas as pessoas. A festa é pública. Contudo, podemos perceber que há nela muitos que agem como se fossem penetras. E o que é pior: agem como o “penetra intrujão”. Comem, bebem, alegram-se e nem sequer sabem o porquê. Sei que Deus se utiliza de todas as realidades e mesmo a ignorância é capaz de manifestar o Seu Amor e Sua Sabedoria. Entretanto, se vamos nos alegrar e festejar, o mínimo que podemos fazer é saber o motivo. Não dá para ir a uma festa e desprezar o aniversariante. Sejamos educados e não hipócritas. Não nos esqueçamos de cantar parabéns para Jesus. Afinal, o Natal é a festa Dele. E, Jesus é a “alegria dos homens”, ou seja, a nossa alegria.
Frei Michel da Cruz
Enviado por Frei Michel da Cruz em 27/12/2012


Comentários