Frei Michel da Cruz, OFMConv
No presente há sempre um presente: a chance de se trabalhar.
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26/08/2019 07h19
Lucas 4,1-13

Somente aquele que faz a opção por Deus pode ser tentado. De fato, a tentação visita aquelas pessoas que tomaram a decisão de mudar radicalmente de vida. Antes de tomar tal decisão, ninguém era tentado. Afinal de contas, a própria vida e existência já estavam tomadas pelo mal. A pessoa era prisioneira de seus vícios e nem se dava conta. Somente quando fazemos a opção por Deus e pelo seu Reino é que percebemos o quanto éramos escravos daquilo que nos fazia mal. E o que é pior, nesta ocasião, descobrimos o quanto é difícil alcançar a nossa liberdade. Contudo, o que nos conforta neste processo é sabermos que somos conduzidos pelo Espírito do Senhor. Estamos no deserto, mas não estamos sozinhos e abandonados! Deus cuida de nós e caminha em nós.
As tentações incidem em nossos desejos básicos: prazer, posse e poder. Elas alteram a hierarquia dos valores e tentam afirmar que vale tudo para satisfazer esses desejos. As tentações criam soluções fáceis e simples para problemas humanos complexos. Os caminhos sugeridos pelas tentações vão na via do egoísmo, da falta de responsabilidade e comprometimento com as próprias decisões. As tentações nos convocam a sermos imediatistas, ostentadores e espetaculosos. Tais posicionamentos contrariam o projeto de Deus para o ser humano. Na verdade, as tentações colocam Deus abaixo de nossos desejos. Elas ensinam que tudo vale a pena para satisfazer os nossos anseios, até mesmo instrumentalizar o próprio Deus e sua Palavra. 
No relato das tentações (Lc 4,1-13), Jesus nos ensina algumas chaves para vencer o mal. A tentação do prazer é superada quando se coloca a atenção na Palavra de Deus e se encontra prazer em sua meditação e cumprimento. A tentação da posse é vencida quando percebemos que o maior bem que podemos possuir é ser de Deus. A vitória está no culto prestado ao criador de tudo, à fonte de todo bem. Aqui, a verdadeira hierarquia dos valores é restabelecida. Não se pode trocar o criador pela criatura. Por fim, a tentação do poder é vencida pela virtude da fé, da confiança inabalável no Deus que pode tudo, ainda que não vejamos.
O relato lucano das tentações de Jesus termina afirmando que o diabo voltaria no tempo oportuno. Se as tentações, neste Evangelho, terminam em Jerusalém, também é nesta cidade que Jesus, no final de seu ministério, será, mais uma vez, tentado pelo Diabo. É na cidade santa que se dará a tentação final e derradeira de Nosso Senhor. Em Jerusalém, Jesus terá de, mais uma vez e de modo definitivo, vencer a tentação de abandonar o projeto salvífico do Pai.
Convém salientar que os desertos e as tentações da vida nos preparam para a luta. Eles funcionam como uma propedêutica para o serviço do Senhor. Para o cristão, o problema não está em ser tentado. Isso faz parte da sua trajetória. O que não faz parte do caminho é se deixar levar e mover pelas tentações, deixando de lado as inspirações do Espírito que nos conduz nos desertos da existência.


Publicado por Frei Michel da Cruz em 26/08/2019 às 07h19
 
26/08/2019 07h11
Lucas 1, 26-38

Um sim, dado com humildade e fé, é capaz de mudar a história, salvar o mundo e tornar, em Deus, possível aquilo que, aos olhos humanos, parecia impossível.
Lucas 1,26-38 apresenta o relato da Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora. O anjo do Senhor é enviado a uma pequena cidade da Galiléia chamada Nazaré. Lá, ele tem um diálogo com uma humilde virgem chamada Maria. Esta conversa começa com uma saudação que soa diferente aos ouvidos de Maria. O anúncio do anjo tem como temática inicial a alegria. Aquilo que conhecemos como Ave Maria, na realidade, é um grande grito de júbilo: alegra-te, ó Maria! Temos, aqui, um dos temas basilares do Evangelho de São Lucas: a alegria messiânica. Essa alegria brota da certeza e da presença do Reino de Deus manifestado em Jesus Cristo. Ele é a nossa alegria. 
Após dizer isso, o Anjo afirma o motivo pelo qual Maria deve se alegrar, a saber: o Senhor é com ela! O Senhor Deus de Israel está com Maria. Os relatos vocacionais, no Antigo Testamento, começam, em geral, confirmando a certeza da presença de Deus junto aquele que é chamado. É isso que permite a concretização da missão. Sem mim, nada podeis fazer, ensina-nos Jesus, no Evangelho de São João (Jo 15,5).
Ao perceber que Maria começa a se indagar sobre o significado de tal saudação, o Anjo a convida a deixar de lado o medo, que muita das vezes nos impede de seguir em frente, e começa a explicar-lhe a razão de sua visita: "encontraste graça diante do altíssimo" (Lc 1,30) e, por isso, foste escolhida para ser mãe do Filho de Deus.
É interessante notar que, neste relato bíblico, Nossa Senhora não é meramente paciente do anúncio do anjo. Ela faz suas intervenções e indagações. Maria usa de sua liberdade, diante da proposta feita por Deus a ela. Não por acaso, o Arcanjo São Gabriel anuncia o sinal que confirma o milagre que se dará com Maria: a idosa e estéril, Isabel, também concebeu. Se Deus é capaz de tornar a idosa fecunda, também é  capaz de fazer a Virgem conceber. Se um galho seco pode vir a florir, o que se dirá de um ramo ainda verde? A virgem e a idosa concebem por obra divina.
Diante da fala do anjo, resta ainda a liberdade de Maria. Ela bem poderia dizer não ao projeto de Deus. Ela poderia se negar a acolher o convite feito pelo Arcanjo São Gabriel. No entanto, Maria, após ouvir tudo que o Anjo lhe tinha a dizer, dá o seu consentimento ao projeto divino. O sim de Maria é o sim à Palavra de Deus; é o sim às promessas de Deus. O sim de Maria é consciente. Com sua resposta, Maria também se torna agente do projeto salvífico de Deus para a humanidade. O sim de Maria se torna decisivo para a História Humana.
Dessa maneira, Maria se tornou modelo e exemplo para toda a humanidade. O que Deus realizou em Maria, de certo modo, também quer realizar em cada um de nós. Somos chamados, assim como foi Maria, a darmos o nosso sim ao projeto salvífico de Deus, em nosso tempo. Somos convidados a colaborar com a concretização do Reinado de Deus, em nossos dias. 
Que Nossa Senhora nos ensine a termos um coração humilde, generoso e aberto para acolher a proposta de salvação feita por Deus a cada um de nós. 


Publicado por Frei Michel da Cruz em 26/08/2019 às 07h11
 
25/08/2019 14h31
Mateus 22, 34-40

A plenitude da lei é o amor (Rm 13,10). Pois, o amor é o resumo de toda a Lei e os Profetas. Para falar a verdade, o amor é a síntese de toda a Sagrada Escritura. Quem ama cumpre todos os mandamentos da lei de Deus.
Contudo, este amor possui dois sentidos: vertical, que diz respeito a nossa relação com Deus e o cumprimento dos três primeiros mandamentos; e horizontal, que versa sobre a nossa relação com o próximo e também diz respeito aos outros sete mandamentos. De fato, como ensina São João (I Jo 4,20), é impossível amar a Deus que nós não vemos e não amar o irmão que está ao nosso lado.
Neste sentido, Jesus, no evangelho de hoje, é confrontado com os fariseus, homens piedosos, comprometidos demasiadamente com a Lei e que, desde o início do capítulo 22, buscavam surpreender Jesus nas suas próprias palavras (Mt 22,15). De fato, neste capítulo do Evangelho de São Mateus, Jesus é confrontado com os vários grupos judaicos do período. O primeiro grupo é o dos herodianos, que defendiam a realeza de Herodes e o acordo de livre sujeição aos dominadores romanos mediante a algumas concessões. Estes, para colocar Jesus à prova, perguntaram-lhe sobre a liceidade do imposto pago a Cesar (Mt 22, 16-22). A resposta do Mestre encheu os herodianos de admiração. 
De acordo com São Mateus, no mesmo dia, outro partido judaico quis questionar a Jesus. Esse foi o grupo dos saduceus, judeus piedosos que faziam gravitar a sua vida de fé em torno do Templo de Jerusalém. A esses homens Jesus responde a questão da Ressurreição dos mortos (Mt 22, 23-32). Mais uma vez, como num belo refrão, a resposta de Jesus enche seus interlocutores de admiração. 
Após ter respondido aos questionamentos dos saduceus, os próprios fariseus resolvem provar Jesus. Eles parecem fazer eco ao dito popular: "quem quer, faz. Quem não quer, manda". Neste sentido, eles tentam surpreender o Senhor naquilo que era a especialidade deles: a Lei e os seus desdobramentos. Os fariseus, no afã de cumprir rigorosamente os mandamentos da lei de Deus, construíram um esquema religioso legalista, no qual fizeram com que os Dez Mandamentos dados por Deus a Moisés no Sinai (Ex 20, 1-21) se desdobrassem em 613 mandamentos (365 proibições e 248 mandamentos positivos!). Diante de tantas leis, a pergunta desse grupo não poderia ser outra: "qual é o maior mandamento?"
Jesus, mais uma vez, responde com maestria e vai no cerne da questão: o Amor. O mestre de Nazaré sintetiza os mandamentos em dois: o amor a Deus e o amor ao próximo. De fato, como Ele mesmo afirma, toda a Lei e os Profetas se resumem na prática do amor que se direciona a Deus e aos irmãos.
O Evangelho, proposto pela liturgia de hoje, traz para nós uma grande lição: é preciso aprender a amar a Deus e aos homens. Quem ama, cumpre toda a Sagrada Escritura. Se não nos é possível decorar toda a Lei e os Profetas, uma coisa todos nós podemos fazer: amar. Portanto, tudo o que fizeres, faze com Amor, no Amor e por Amor. Pois quem age assim, ordenadamente, não peca.
Que Deus nos auxilie nesta grande tarefa e que sejamos cada vez mais abertos ao amor.

 


Publicado por Frei Michel da Cruz em 25/08/2019 às 14h31
 
25/08/2019 05h32
Lucas 13,22-30)

A salvação alcançada por Jesus Cristo para cada um de nós é dom de conquista. De fato, em primeiro lugar, ela é dom. Pois, é graça dada por Deus aos homens. Ninguém pode salvar-se a si mesmo. Nós fomos salvos por nosso Senhor Jesus Cristo. E, Deus fez isso de modo gratuito. Não possuímos mérito algum, no que se refere à nossa salvação. Ela é fruto da benevolência, gratuidade e eleição divina. E, isso lhe confere uma dimensão passiva, no que diz respeito a ação humana. Por outro lado, a salvação também possui, para o homem, um aspecto ativo. Não nos basta sabermos que fomos salvos por Jesus Cristo. É preciso também que nos empenhemos para fazer valer a salvação que nos foi alcançada na cruz. Não adianta apenas conhecer Jesus, a sua palavra, ser batizado ou ir à missa. É necessário aderir a proposta do Reino ensinada e pregada pelo Senhor. Na fé cristã, não há espaço para meias medidas. Aqui, não existe plano de carreira ou bonificações por tempo de serviço. Para falar a verdade, no cristianismo não há sequer aposentadoria. Recebemos de Deus um grande tesouro, a saber: a nossa salvação. E, a nossa batalha constante é para que, ao menos, nos esforcemos para sermos um pouco dignos dessa graça. O que ocorre no cristianismo é algo parecido com aquele professor que, no primeiro dia de aula, avisa para a turma que todos os alunos estão com a nota 10 no boletim. Porém, essa nota pode ir reduzindo ao longo do ano. A luta do aluno passa a ser para manter-se no 10. Assim é a salvação para o cristão.
No Evangelho de hoje, Jesus continua a sua subida para Jerusalém. É a segunda vez que ele anuncia, no Evangelho de São Lucas, a sua meta (Lc 9,51.53;13,22). Ele, em sua caminhada, não fora bem acolhido pelos samaritanos, por dar mostras de ir à Jerusalém (9,53), mas entre estes excluídos da sociedade judaica de então, Jesus responde com amor e mostra a face de um Deus acolhedor e próximo (Lc 10,30-38). Esse é o cerne da catequese dada por Jesus, ao longo de sua subida para Jerusalém. O Deus pregado, ensinado e demonstrado por Jesus é diferente. Ele é Pai amoroso, misericordioso, acolhedor e próximo, até mesmo, daqueles que o mundo insiste em excluir e desprezar. Em Jesus Cristo, Deus se torna acessível aos homens e deixa de pertencer a uma casta ou grupo seleto. Essa leitura catequética, do modo de ser de Jesus Cristo e do Deus pregado, vivido e revelado por ele, corria o risco de transformar o Senhor dos senhores em um bom velhinho, fraco e caquético incapaz de impor limites e despertar comprometimento e seriedade aos seus filhos e discípulos. A mensagem cristã corria o risco de ser deturpada e transformada num grande argumento laxista. Afinal, uma vez que Deus é misericordioso e nós já fomos salvos, por que não podemos curtir a vida e fazer tudo o que nos der na cabeça? O Deus cristão seria, assim, permissivo e não despertaria em seus seguidores um comprometimento. Nesse contexto, São Lucas, querendo afastar os seus leitores, Teófilos, dessa interpretação bíblica, reúne, no caminho para Jerusalém, uma série de ditos proferidos por Jesus Cristo, em outras ocasiões. Para o evangelista, a mensagem cristã é clara. Se de um lado Deus é misericordioso, do outro, essa descoberta implica na exigência da adesão completa a Jesus Cristo e ao seu projeto. O cristão é aquele que faz de Jesus Cristo a opção fundamental de sua vida. E, essa opção é exigente e radical. Quem conhece a Jesus Cristo deve comprometer-se com o mesmo e afastar de si todas as formas injustas de vida. Para ser salvo não basta conhecer ou ouvir falar de Jesus Cristo. É preciso muito mais. Precisamos ir além. Ser cristão é muito mais do que dizer ou parecer. Ser cristão é aderir a Jesus Cristo e a sua proposta de construção do Reino de Deus a partir do aqui e agora. O cristianismo é muito mais do que o conhecimento de um conjunto de regras e doutrinas ou mesmo a prática de determinados ritos. Ser cristão é batalhar para configurar-se na imagem e semelhança de Jesus Cristo. É ser outro Cristo.
Por isso, São Lucas conhecendo o debate rabínico de então, acerca da salvação, propõe pelos lábios de um estranho um questionamento comum, na época de Jesus: quem será salvo? Os fariseus afirmavam que a salvação era algo exclusivo daqueles que pertenciam ao povo judeu. A salvação seria algo genético e de cunho familiar. Por outro lado, os membros das seitas apocalípticas e ascéticas da época afirmavam que a salvação era algo para poucos. Somente aqueles pertencentes ao seu grupo seriam salvos. Por sua vez, Jesus com suas palavras e gestos dava a entender que a salvação era para todos independente da raça, condição social ou vida. A pergunta daquela pessoa da multidão torna-se, assim, importantíssima: Quem e quantos serão salvos? Contudo, a resposta dada por Jesus não vai na linha quantitativa. Ele não responde se serão muitos ou poucos a serem salvos. De fato, a salvação é ofertada a todos, porém, somente alguns aceitam-na. A resposta dada pelo Senhor é, antes de tudo, um convite para que nos empenhemos por assumir os valores do Reino. Por isso, ele fala da porta estreita. A sua Palavra acerca da salvação não é adocicada, mas sim, dura e firme. Jesus toma uma metáfora conhecida do povo do campo. Os pastores, ao findar o dia, levavam suas ovelhas de volta para o aprisco. Neste lugar existia uma porta estreita, onde só se passava uma ovelha de cada vez e o pastor podia selecionar aquelas que pertenciam ou não ao seu rebanho. Não é por acaso que São João retoma esta mesma imagem e afirma que Jesus é a porta (Jo 10,9) pela qual devemos passar. Pela porta estreita só passam aqueles que reconhecem a voz do seu pastor; aqueles que não carregam os excessos de uma cultura hedonista e egotista. Quem entra por essa porta está protegido do ladrão e dos lobos que tentam tirar a vida das ovelhas. Assim, Jesus ensina que o Cristão, por ser consciente da sua salvação não pode sair por aí fazendo o que lhe der na cabeça e desperdiçando a salvação que lhe foi dada. O cristão é chamado a agir com radicalidade (ter raiz) em tudo o que se refere ao Reino de Deus e sua própria salvação. A salvação para o cristão é coisa séria. O grau de importância dessa matéria explica a dureza das palavras do Senhor: É preciso se esforçar para entrar pela porta estreita!
Jesus também chama atenção para outras duas imagens: o ouvir falar nas praças e o fazer refeição com ele. Essas duas imagens são caras ao cristianismo, pois retratam a dimensão do conhecimento da palavra e da ceia eucarística. Estamos diante de duas liturgias expressas de modo metafórico: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. É como se o Senhor esbravejasse: “Não basta conhecer a palavra de Deus se não a praticamos! Tão pouco, basta ir à missa para achar-se salvo!” De fato, o cristão tem a tarefa e o dever de fazer ressoar a Palavra de Deus ouvida e a Eucaristia celebrada em sua própria vida. Do contrário, ele corre o risco de não adentrar nas núpcias do Cordeiro. Aquilo que celebramos deve estar em sintonia e ser condizente com o que vivemos no nosso dia a dia. A prática da justiça do Reino é a prioridade na vida do cristão.
Jesus também faz um alerta aos ouvintes pertencentes ao seu povo. A salvação não é fruto da pertença a um grupo étnico. Ela é dom de conquista e pode ser que outros, que não sejam do meu grupo, alcancem-na. Daí provém a necessidade de acolher na vida a salvação ofertada por Jesus. A imagem usada para explicar essa realidade é dura. Jesus exclui do banquete, do qual participam os patriarcas de Israel e os profetas, os descendentes destes pais e dá lugar à mesa estrangeiros e pessoas fora do círculo e contexto familiar. A festa que, teoricamente e por direito, pertencia aos filhos foi dada aos estranhos. Jesus, assim, elimina os privilégios de consanguinidade e raça. A salvação pertence a quem toma posse dela e valoriza o dom recebido. 
O último alerta de Jesus versa sobre o tempo de caminhada. De acordo com a parábola contada, para Deus não existe plano de carreira. Não se pode dar por descontado, devido ao tempo de serviço, a garantia do lugar à mesa do Reino. Lucas, aqui, está falando para dois grupos: aqueles que haviam se convertido do judaísmo e que pensavam que a salvação, em primeiro lugar, pertencia-lhes; e para os cristãos da primeira hora convertidos do paganismo, que pensavam possuir privilégios por tempo de conversão. No que tange a salvação, não existe bonificação por tempo de serviço ou aposentadoria. Não podemos viver das glórias do passado ou daquilo que fizemos, mas tão somente daquilo que fazemos no hoje.
O Evangelho de hoje é um grande grito para que tomemos posse da salvação de Deus, percebendo que esta é, antes de tudo, um dom, um presente que nos foi dado pelo Senhor, porém o presente só faz sentido na nossa vida quando aprendemos a tomar posse dele e a fazer uso daquilo que ganhamos. Portanto, apossemo-nos da salvação de Deus e nos esforcemos para entrar na porta estreita, que é o próprio Jesus, aderindo à sua pessoa e projeto de vida.
Abençoado domingo!
Paz e bem!


Publicado por Frei Michel da Cruz em 25/08/2019 às 05h32



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