Frei Michel da Cruz, OFMConv
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26/08/2019 07h26
Lc 9,28-36

Consegue enfrentar os sofrimentos da vida quem aprendeu a ver além e a contemplar a glória que se esconde por detrás da cruz. São Lucas 9,28-36 apresenta-nos a cena clássica da Transfiguração do Senhor. Essa teofania, manifestação de Deus, tem como objetivo revelar, para os apóstolos, considerados colunas da Igreja, antecipadamente, a glória da Ressurreição de Jesus Cristo. O Mestre da Galileia mal começou a sua caminhada rumo a Jerusalém e anuncia aos discípulos o que espera encontrar lá. Jesus não esconde, aos seus companheiros, o final trágico que o aguarda em Jerusalém. O Senhor está consciente da proximidade de seu fim. Ele não se esconde ou se esquiva de sua missão. Pelo contrário, ele caminha pressuroso para o seu destino. Os discípulos seguem o mestre sem entender direito qual é a sua proposta. Jesus já até havia feito, alguns versículos antes, por ocasião da confissão de Pedro, o primeiro anúncio de sua paixão (Lc 9,22), mas os discípulos não entenderam as suas palavras. É nesse contexto que Jesus escolhe Pedro,Tiago e João e os leva consigo para um momento de oração no alto do monte. É importante destacar que, no Evangelho de Lucas, Jesus é um homem feito oração. Antes de toda grande manifestação ou revelação do Poder de Deus, neste Evangelho, Jesus sempre aparece orando. A oração é o segredo do sucesso do cristão. Ela é o grande combustível da nossa caminhada. Cristão que não reza vira bicho e perde o rumo de sua própria estrada. É a oração, a intimidade com Deus, que nos move. Enquanto Jesus se dedica oração, algo extraordinário acontece. Ele se transfigura e deixa revelar a glória de Deus escondida por sua humanidade. A transfiguração é como uma amostra grátis da glória da ressurreição futura de nosso Senhor Jesus Cristo. Deus permite aos discípulos contemplarem esta glória, a fim de que eles não desanimem na caminhada rumo a cruz. Não podemos ter medo de enfrentar a cruz! 
Lucas também é o único Evangelista que revela o teor da conversa travada entre Jesus, Moisés e Elias. Os maiores representantes do Antigo Testamento falam para Jesus sobre a sua morte. A cena é sublime e acalma o coração. Não é por acaso que Pedro se recusa a sair daquele monte. Verdadeiramente, é bom estar na presença de Deus! Permanecer na contemplação da glória do Senhor, prolongar o nosso tempo de oração e de intimidade com Deus é sempre bom. Afinal, nessas horas, saímos de nós mesmos e nos colocamos na presença daquele que dá sentido a nossa existência. São nesses momentos preciosos de intimidade que Deus nos recorda que mais importante do que viver retirado no alto do monte, sem se preocupar com a vida e sem abraçar a própria cruz, é ter a coragem de descer a montanha e, sob os efeitos da transfiguração, colocar-se a caminho e ser todo ouvido a voz do Filho muito amado de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
A transfiguração é o penhor, a garantia e a certeza da ressurreição e da vitória final sobre as cruzes que carregamos em nosso dia-a-dia.


Publicado por Frei Michel da Cruz em 26/08/2019 às 07h26